Cape Town: Roteiro de 4 dias com Criança

14 de dezembro de 2017
 

Cape Town é uma das cidades mais lindas e badaladas da África do Sul. O fato de não precisar de visto para brasileiros, o clima agradável, mesmo durante o inverno, e o câmbio a nosso favor, fazem da Cidade do Cabo um destino cada vez mais popular de turismo ou intercâmbio. 
Entre suas atrações mais conhecidas estão a Table Mountain, o Victoria and Albert Waterfront e o passeio até Cape Point, conhecido entre nós como o Cabo da Boa Esperança. Mas Cape Town tem tantos pontos turísticos para conhecer e tantas paisagens lindas, que merece ser visitada mais que uma vez na vida! Neste post, compartilho nosso roteiro de 4 dias e reuni algumas dicas para ajudar no planejamento da sua viagem.

Roteiro de 4 dias em Cape Town, com criança!

Viajamos com criança, então nossos passeios são pensados para famílias. Mas estas atrações que você vai conferir, costumam ser favoritadas por viajantes de qualquer idade! E não custa lembrar que nosso filho já está com 9 anos e tem pique para caminhar e passear o dia todo! 

Dia 01: Table Mountain, Signal Hill e Waterfront

A Table Mountain geralmente é a atração mais manjada para conhecer em Cape Town. Então, planejamos conhecê-la no primeiro dia. Ao chegarmos em Cape Town, vindos de Franschhoek, descobrimos que o bondinho que leva ao topo da Table Mountain estava fechado e só reabriria dali a 10 dias. Nossa única alternativa era subirmos pela trilha. Mas é uma trilha demorada (cerca de 2 horas e meia, só para subir) e íngreme. 


Fomos até sua base de carro, e começamos a trilha. Já nos primeiros 20 minutos, eu desisti (kkk). Mas os meninos foram firmes e conseguiram chegar até o topo!


O bondinho para subir custa 65 rands (cerca de R$ 17) por adulto e 25 rands por criança. 
Depois de voltarem (e olha que demorou!) pegamos o carro e seguimos para a Signal Hill, outra montanha que tem uma vista linda da Table Mountain e da Lions Head. Dá pra tirar uma foto do "porta-retrato" gigante que enquadra super bem a montanha.



E se estiver a fim de fazer uma boquinha, na Signal Hill tem um carrinho com café, lanches e doces.
Á noite, ainda tivemos fôlego para caminhar até o Waterfront, e ficamos em uma cervejaria (Mitchell's), afinal era sexta-feira!
Preciso contar que fomos todos os dias no Victoria and Albert Waterfront! Amamos este pier, que era nosso passeio certeiro ao final da tarde ou à noite. Além ter muitas opções de restaurantes, há diversas atrações, galerias, lojas e um shopping enorme. Mas quero detalhar tudo em outro post!

Dia 02: Chapman's Peak Drive, Cape Point e Boulder's Beach

Neste dia, nossa programação era ir até Cape Point, a 70 km de Cape Town, onde fica o Cabo da Boa Esperança, tão falado nas aulas de História!
Já ao deixarmos o centro de Cape Town, paramos para fotografar e admirar a paisagem


No trajeto de ida, percorremos a Chapman's Peak Drive, uma rota cênica, beirando o oceano. Há vários pontos para parar e tirar algumas fotos, mas é preciso dirigir com bastante cuidado pois, especialmente aos finais de semana, há muitos ciclistas na estrada.


Depois de parar algumas vezes para observar a paisagem e a aparição de algumas baleias, chegamos em Cape Point! O lugar faz parte do Parque Nacional da Table Mountain e para entrar no parque, há uma taxa de 135 rands (R$34,00 - por adulto) que felizmente pode ser paga em cartão!
Em Cape Point, o programa é subir até o farol (também tem um funicular, para quem tem dificuldade em caminhar), ou andar em trilhas beirando as escarpas e chegando ao farol antigo, que operava até o comecinho do século XX. Também faz parte do passeio descer até a praia onde fica a placa que sinaliza o Cape of Good Hope! Este parque é lindo demais e rende cada foto!!
Programamos de parar na volta em Simon's Town, na Boulder's Beach, onde fica uma unidade de conservação de pinguins. As crianças piram com aqueles animais fofos! Eles são lindos demais!
Para entrar nesta unidade, custa cerca de R$ 17,00. Mas se estiver com a grana muito curta, passe pela entrada do parque e continue caminhando na passarela. Você vai ver vários pinguins, sem pagar nada. 
Por último, fizemos uma paradinha para café em Simon's Town e retornamos para Cape Town, devolver nosso carro alugado. Á noite (óbvio!! kkk) nosso jantar foi no WaterFront!

Dia 03: Tour guiado pelo Centro (Free Walking Tour), Green Market e Bo Kaap

Começamos o dia em Green Market Square, uma praça que fica tomada por barraquinhas de vendedores barganhando todo tipo de artesanato "Made in Africa". Mas segure seus impulsos consumistas, porque ali os preços não são os melhores.




Em uma das esquinas, ficam os guias que atuam nos Free Walking Tours. Escolhemos fazer o tour Apartheid to Freedom, que passa por alguns lugares que contam a história do Apartheid, como o parlamento, a igreja onde Desmond Tutu pregava e a praça em frente à prefeitura, onde Mandela discursou no dia em que saiu da prisão.


Aliás, nosso guia nos contou um bocado da história da região de Cape Town e da própria África do Sul. Foi um passeio enriquecedor e emocionante (lágrimas rolaram, em vários momentos)!
O tour é grátis, mas é costume dar uma gorjeta para o guia. É bom saber que o guia fala inglês, e o Léo teve bastante paciência, já que não compreendia quase nada! Se for com criança pequena ou impaciente, não recomendo!
Após voltarmos do tour, esticamos até Bo Kaap, antiga morada de imigrantes malaios. Era domingo e os restaurantes estavam fechados, mas deu pra ver e fotografar as típicas casinhas coloridas. Aliás, me alertaram para tomar cuidado com a câmera, pois furtos são comuns na região.


Depois disso, ainda curtimos a tarde de domingo no Waterfront, onde almoçamos no Food Market e visitamos o Aquário.


A noite jantamos no restaurante Hudson's, especializado em hamburger, na Main Road, próximo ao nosso Bed and Breakfast.

Dia 04: Iziko Museum, Company's Garden, Food Lovers Market e Long Street

Neste dia, resolvemos voltar ao centro e explorar a região do Company's Garden, um jardim que existe desde o início do século XVII quando os holandeses da Dutch East India Company sentiram a necessidade de produzir alimentos para os tripulantes dos navios que chegavam em Cape Town.


Hoje, além do jardim de ervas, há plantas ornamentais, esquilos gordinhos, esculturas, árvores... e uma bela vista da Table Mountain. Enfim, o lugar é muito lindo!


Na área dos jardins ficam dois dos Museus Iziko: o South African Museum e South African National Gallery.


O ingresso é baratinho (cerca de R$ 7,50) e inclui a visita para estes dois museus, além do Slave Lodge. Acabamos visitando apenas o South African Museum e adoramos.



Ele tem desde uma seção de história natural, e conta também um pouco da história da África, desde pinturas rupestres, instrumentos da idade da pedra até uma exposição sobre Tata Mandiba. Nunca ouviu falar? É porque ele é mais conhecido como Nelson Mandela!


No Iziko também tem um planetário, mas não estava rolando nenhum evento. Veja mais informações no site do museu!

Lá pelo meio-dia, em algum lugar próximo, dá para ouvir canhões (acho que é no Bo Kaap). Estávamos nos jardins e assistimos uma revoada de pombos neste momento! 

Do Company's Garden, tocamos para a Long Street, rua boêmia de Cape Town. Muitas construções são de meados do século XVIII e XIX em estilo vitoriano, com varandas em ferro.
Nesta área, há moradores de rua e alguns ficaram pediram dinheiro insistentemente, mas não chegam a oferecer perigo, afinal a rua é bem policiada.
Na Long Street, fui até a Clarke's Book Shop, comprar um livro de fotos, como de costume. A livraria é pequena e bem charmosa e além de livros novos, tem uma seção estilo “sebo”.

Nosso almoço foi no Food Lover's Market, próximo à Green Market. Eu que sou fã de Food Markets, me deliciei nesse lugar: havia lanches, porções e vários pratos típicos servidos no esquema self-service. O café e a sobremesa também estão garantidos no mercado. Além de outras tantas opções para comprar e levar pra casa!
Para encerrar com chave de ouro nossa jornada em Cape Town e na África do Sul, fomos à noite ao Waterfront jantar no Belthazar

Mapa das atrações - clique para navegar


Onde se hospedar:

Depois de muito pesquisar sobre os bairros, concluímos que a melhor região para nos hospedarmos seria o Green Point. Este bairro residencial tem muitas opções de Guest House, Bed and Breakfast, além de hotéis e aluguel de temporada. Como queríamos algo próximo ao Waterfront, escolhemos a House on the Hill, com preços bem convidativos (a diária para 2 adultos e 1 criança saiu aproximadamente R$ 170,00, incluindo café da manhã).
É também no Green Point que fica o famoso Stadium, construído para a Copa do Mundo de 2010. E nós tínhamos uma vista privilegiada dele em nosso quarto da House on the Hill.
Na Main Road há vários restaurantes e mercados como o Kwikspar (unidade menor da rede Spar) e próximo na Sommersets Road, havia um mini shopping, o Cape Quarter, com uma loja de conveniência da Spars que tinha uma padaria mara e uma seção ótima para comprar lanches prontos – ótima opção de economia, para quem está com a grana curta, ou para levar em um piquenique em algum dos parques na cidade.
Rua do Green Point 
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Dicas para planejar sua viagem

Como chegar: 

Não há voos diretos do Brasil para Cape Town. Os voos da South African e da Latam fazem conexão em Johanesburgo. Uma outra opção é voar pela TAAG, com escala em Angola. O aeroporto de Cape Town fica a aproximadamente 20 km da cidade. Para chegarmos até o aeroporto, contratamos um serviço de shuttle do próprio hotel, porque saímos de madrugada. Mas talvez fique mais barato de Uber.

Língua Oficial: 

A África do Sul tem nada menos que 11 línguas oficiais. Entre as mais faladas estão o Afrikaner (língua “filha” do holandês) e o zulu. O inglês é bastante falado também, mas não é a língua preferida da maioria da população, então se prepare para encarar um sotaque! Está certo que senti bem menos sotaque em Cape Town, do que em outros lugares, como no Kruger Park!

Compras

Quem gosta de artesanato, garanto que vai pirar com tantas opções! Entre os meus favoritos, estão as esculturas em madeira dos animais (trouxe uma girafa! <3), as máscaras e os colares! Também comprei uma toalha de mesa estampada à mão (potato print). Tudo isso, você encontra na Green Market, mas eles colocam o preço bem alto pra você ficar barganhando. Como eu não tenho muita prática nisso, acabei comprando algumas coisinhas ali e depois encontrei os mesmos produtos mais em conta, em uma loja no Waterfront, chamada Africa Trade Port. Achei o melhor lugar para comprar souvenir.
Na Long Street também tem algumas galerias com artesanato, souvenir e lojas de tecido – as estampas são lindas e se você tiver uma boa costureira, acho que vale a pena trazer alguns cortes.

Como se locomover

Para quem é fã dos ônibus Hop-on hop-off, há várias linhas turísticas. Apesar de não ser a opção mais em conta, é perfeito para quem tem pouco tempo na cidade. 
Alugar carro é uma boa pedida para quem quer fazer algum passeio bate-volta. E saiba que o trânsito é bom e os motoristas, em geral, são mais educados que no Brasil. Só não esqueça que é mão inglesa.
Para quem ficar à pé, o Uber funciona super bem e é uma ótima opção para distâncias na cidade. Para isso, não se esqueça de ter um chip de celular funcionando, né? (usei chip da Vodacom, mas não funcionou na Suazilândia. Se for pra lá também, compre da ATM)
O transporte público não é dos melhores, mas é a opção mais econômica, sendo mais indicado para turistas o sistema My City. Entenda como funciona nesse post em português!

Quando ir

A melhor época, em geral, é na primavera e no verão. Cape Town fica no hemisfério sul, então as estações coincidem no Brasil. Mas, ao contrário daqui, a estação seca é no verão. O inverno costuma ser chuvoso, mas nada que se compare ao nosso regime de chuvas aqui no sudeste.
Em julho todo, costuma chover cerca de 100 mm. Então, não vai ser como viajar pra Ubatuba em janeiro! Nós demos muita sorte e pegamos todos os dias ensolarados.

 Documentos:

Brasileiros não precisam de visto, mas é necessário ter pelo menos uma página em branco no passaporte, para poder entrar na África do Sul. Além disso, precisamos do certificado internacional de vacinação contra a febre amarela (em geral, os postos de saúde fornecem a vacina e o certificado vem da Anvisa, em poucos dias).

Ainda tem alguma dúvida sobre Cape Town? Ou alguma dica bacana? Deixe um comentário.

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7 comentários

  1. Adoro roteiros emiuçadinhos assim.
    E Cape Town deve ser um sonho, né?

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  2. Guria não acredito que eles subiram a Table Mountain a pé!!!!!! Quando fui fiquei curiosa mas não tive coragem. Que máximo. Manda parabéns para os meninos.
    Esta viagem eu já fiz com meu marido e está muito em meus planejamentos para ir com meu filho. Agora tenho suas dicas e vai ficar bem mais fácil.
    Adorei.

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  3. Lili, não faz assim comigo, eu sou uma pobre professora universitária e não posso viajar para todos os lugares lindos que vejo no seu blog. Agora mesmo desejo com força Cape Town! E menos pelas atrações de natureza - porque faria como você, desistiria fácil da trilha - mas pela urbe. Parece interessantíssima e fervilhante. Como faz agora? Compra a passagem né? quem me dera...
    (Eu pergunto, eu respondo e eu repreendo... hahahaha)

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  4. Que saudades de Cape Town!! Vi agora a foto do food truck de Signal Hill e fiquei morrendo de vontade de comer o donuts de lá. Era delicioso!!
    Seu roteiro está perfeito!!! Adorei!!
    beijos

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  5. Eu não tinha tanta curiosidade por este destino até ler seu post. Que delícia. Que fotos, paisagens maravilhosas. As do Cabo da Boa Esperança são de tirar o fôlego. E que bacana saber que dá para fazer com as crianças tranquilamente. :)

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  6. Amei muito esse post, amei tanto que compartilhei, salvei o Pin kkk
    Roteiro maravilhoso, lendo me deu mais vontade ainda de ter a experiência de visitar a Africa do Sul.

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  7. Meu sonho conhecer a África do Sul e seu roteiro está ótimo. O problema é dirigir na mão inglesa ! Precisava de um tour por lá. beijocas

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