Livros e Viagens: A Fazenda Africana


O livro "A Fazenda Africana" escrito na década de 30 por Karen Blixen, conta as recordações da dinamarquesa em sua fazenda no Quênia e inspirou o filme “Entre dois amores” estrelado por Meryl Streep, na década de 80.
Usando o pseudônimo de Isak Dinesen, a aristocrata dinamarquesa nos conta sobre aquela África intocada, de quando ainda havia animais de sobra e leões eram vistos como problema, chegando a ser abatidos quando atacavam o gados das fazendas.
Neste post, vou contar um pouco sobre esse livro e o motivo que me levou a lê-lo.


A Fazenda Africana

Como parte de minha preparação para viagens, gosto de ler livros que falem sobre o destino.  E confesso que prefiro ficção. Melhor ainda se misturar um pouquinho com a história. Como não encontrei nenhum livro sobre a África do Sul, acabei lendo A Fazenda Africana, cuja história se passa no Quênia. Me lembrei que há muuuuitos anos, li um editorial de moda inspirada na África e no final tinha uma seção “pra entrar no clima” que indicava este livro.

Já na primeira página do livro eu me encantei pela narrativa e fui criando altas expectativas em relação ao continente que eu iria visitar pela primeira vez:
“A situação geográfica e a altitude combinavam-se para criar uma paisagem que não tinha igual no mundo. Não havia nada ali que fosse supérfluo e luxuriante; era a África destilada através de dois mil metros de altitude, perfazendo a forte e refinada essência de um continente”.

Não preciso dizer que a África que conheci é um pouco diferente. Mas o livro já foi me preparando pelo amor que iria surgir por esse pedaço do mundo, tão judiado pela História e pelos colonizadores.
A fazenda ficava nas montanhas Ngong, próxima a uma reserva. A autora relata que se ressente muito dessas montanhas não fazerem parte da reserva Masai. É interessante também o otimismo com que a autora via o futuro do Quenia:

Sempre lamentei o fato de as montanhas Ngong não terem sido incluídas na grande reserva de animais selvagens (...). Quando a colônia prosperar e Nairobi, a capital, tornar-se  uma grande cidade, as montanhas Ngong poderiam vir a constituir-se num excepcional parque-reserva

Infelizmente, a história não seguiu os passos desejados por Karen, e mesmo quando ainda morava lá, ela percebeu o quanto as pessoas iam as montanhas aos domingos, para abater animais. Assim, os animais sobreviventes foram migrando mais ao sul. No entanto, até a década de 90, ainda se viam uns poucos leões na área.

O que mais me encantou nesse livro, foram os relatos dos vínculos que a autora faz com povos distintos como Kikuys, Masais e Somalis, além do cotidiano de uma mulher que segue para um novo continente para acompanhar o marido, mas acaba seguindo sozinha sua jornada de tocar a fazenda.

Imagem: Wikimedia

Não vou dar spoiler de tudo que acontece (leia o livro ou veja o filme..rs), mas Karen teve que, a contragosto, deixar a fazenda e voltar para sua cidade natal na Dinamarca, além de perder o boy de forma trágica (lencinhos, please!!). A fazenda foi vendida, juntamente com seus pertences. Alguns móveis trazidos da Dinamarca foram parar, para alívio de Karen, em uma biblioteca e salas de leitura do Memorial McMillan, construído por Lady McMillan em homenagem ao marido. Karen ficou satisfeita ao saber que estes móveis queridos permaneceriam “em meio a livros e estudiosos”.

As memórias de Karen são contadas com tanta poesia e amor por aquela terra, que agora eu já fico imaginando um roteiro inspirado pelo livro. A boa notícia é que é possível conhecer alguns lugares mencionados pela autora. As paisagens provavelmente não serão as mesmas como descritas – uma África quase intocada, cheia de animais selvagens. Mas depois de ler A Fazenda Africana, dá vontade de visitá-la!

Museu Karen Blixen, Nairobi

Após a morte de Karen, na década de 70, alguns móveis foram doados pelo governo da Dinamarca e tentaram recriar em sua casa, os ambientes em que ela viveu. A visita à casa pode ser feita a partir de Nairobi (a fazenda ficava apenas a 20 km da capital).
Imagem: Wikimedia
Para saber mais, veja este post do blog Roteiros Literários

Memorial McMillan, Nairobi

Uma das primeiras bibliotecas do Quênia, ainda conserva a mobília proveniente da fazenda de Karen. Além disso, o prédio dos anos 30, construído em pedra, parece valer a visita! Para mais informações, leia: Memorial Mc Millan, Nairobi

Então, a dica para quem for visitar o Masai Mara (um dos lugares mais bacanas para safari na África) é incluir alguns dias em Nairobi. Como ainda não fui, selecionei alguns posts de outros blogs, que vão além da casa-museu de Karen Blixen:
3 dias em Nairobi
Nairobi - uma cidade em ebulição
O que fazer em Nairobi

E veja também nossos posts sobre a África do Sul e Suazilândia


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Um comentário

  1. Oiê! Obrigada pelo link! Adorei o relato, vou incluir na minha lista de leitura.
    Deixo de sugestão pra você, a bibliografia do Mandela. O livro é lindíssimo e depois que você visitou RSA vai entender melhor.
    Aproveitando a data, feliz 2018 pra você, sua família e o blog! ;)
    Bjos

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