Delfinópolis, MG: roteiro de 3 dias

Delfinópolis, na região da Serra da Canastra em Minas Gerais, é um verdadeiro paraíso para o ecoturismo! A natureza foi bem generosa com este lugar e, além de paisagens rurais de rara beleza, o município tem bem mais de 100 cachoeiras catalogadas, muitas delas próximas ao centro. Gente! Foi cada banho gelado inesquecível!

À noite, as poucas opções de restaurante ficam cheias nos feriados. A vibe é boa e você vai encontrar muitas pessoas que conheceu no meio das trilhas. Mas é uma cidade que dorme cedo e convida ao descanso. Durante o dia, o melhor programa é fazer uma trilha e tomar um banho de cachoeira, ou ainda se aventurar na área rural.
Estivemos em Delfinópolis no último Carnaval (2017) e neste post vou contar um pouquinho do que fizemos lá nestes 3 dias!

Veja também nossos posts sobre a Serra da Canastra

1) Complexo do Claro

Como chegamos após o almoço no primeiro dia, escolhemos fazer um complexo de cachoeiras mais próximo à cidade e com trilha mais fácil. 
Cachoeira da Paz

As Cachoeiras do Claro ficam a 6 km do centro da cidade e a trilha toda tem cerca de 800 m. Este complexo tem 5 cachoeiras, sendo as nossas favoritas as da Gruta e da Paz. A cachoeira mais distante do início da trilha é a Cidade de Pedras. Não chegamos até esta. Paramos na Gruta e tomamos um belo banho por lá mesmo! A cachoeira leva este nome porque forma uma espécie de gruta atrás da queda de água e dá para entrar, passando por baixo da ducha!
Cachoeira da Gruta

No local, tem um camping e pousada. Para visitantes é cobrada uma taxa de 20 reais e crianças não pagam.

2) Cachoeiras do Paraíso


Prepare a canela! (kkk). A trilha para algumas cachoeiras pode ser bem chatinha, com pedras, o que exige bastante cuidado! A Cachoeira mais distante é a do Triângulo (no início da trilha marcava 3800 metros). 
Na trilha
No total são 8 cachoeiras e não é fácil chegar a todas, pois as trilhas ficam meio "espalhadas". As de mais fácil acesso são a Paraíso I e II (cerca de apenas 300 metros de caminhada). Já no início da trilha há uma ponte. Após a travessia, caminhamos um tempinho em meio à vegetação típica do cerrado. 
Sempre viva - flor típica e rara do cerrado

Passamos pelas cachoeiras de SofazinhoCoqueirinhosLambarisBorboletas e escolhemos descer e tomar banho na "Vai quem Pode". 
Cachoeiras dos Coqueirinhos e Sofázinho

Achei o nome bem apropriado, pois sofri um pouquinho com as pedras (haja perna comprida...kk). O engraçado é que o Léo (8 anos) tirou de letra a trilha e deu um banho na mãe em termos de agilidade!
Vai quem pode - o poço que se forma tem água transparente!
Enfim, valeu o esforço (que não vai judiar de quem tem bom preparo físico) e tomamos um banho gelado em um lugar maravilhoso! 

Este complexo fica a 7,5 m do centro da cidade e tem um restaurante bem recomendado. Parece uma boa almoçar lá depois das trilhas, mas nós fomos pegos pela chuva no caminho e não tínhamos levado troca de roupa. Assim, preferimos voltar à pousada e almoçar na cidade mesmo. Vale lembrar que no local também tem uma pousada. As taxas de visitação são: 25,00 (adulto) e 10,00 (criança).
No alto da Vai Quem Pode - Abaixo, outra queda de água
À tarde ainda fomos passear pela Praça, com alguns casarões históricos e um café delicioso!

3) Vale da Gurita


Este foi o passeio que mais gostamos! Me apaixonei pelo Vale da Gurita e quase queria ficar morando lá! Neste dia visitamos 2 complexos: Cachoeiras do Ouro (de manhã) e Cachoeiras da Maria Concebida (à tarde).
Vale da Gurita - que lugar lindo!!!
Começamos o dia visitando a Queijaria Vale da Gurita. Um lugar lindo, mas não recomendo ir sem 4x4 se o tempo estiver chuvoso, ou caso tenha chovido no dia anterior! Nós quase atolamos por lá! Mas se a estrada estiver seca, é tranquilo!


Em seguida, visitamos as Cachoeiras do Ouro, depois almoçamos no Restaurante da Doca - comida mineira servida no fogão à lenha (recomendo!!). Após o almoço, tocamos para a Maria Concebida.


Restaurante da Doca

Cachoeiras do Ouro

(33 km do centro de Delfinópolis)

A trilha para as cachoeiras tem apenas alguns trechos mais difíceis, onde há escada e corda para ajudar na subida e descida. O restante do caminho é tranquilo. 


Não chegamos até a última cachoeira porque a trilha não estava bem demarcada e eu achei um pouco escorregadia para descer, então desistimos.


As cachoeiras são lindas e em uma delas havia  um lugar bem propício para uma hidromassagem natural!
Adicionar legenda

Há restaurante e camping no local. A taxa de visitação é R$ 20,00 por adulto.

Maria Concebida 

(22 km do centro de Delfinópolis)
Este complexo tem cachoeiras lindas, além de uma fonte de água morna (quase 30º). 

No início da trilha é preciso atravessar uma "pinguela" meio alta e tinha algumas tábuas soltas. É bom tomar cuidado, principalmente com as crianças!

A última cachoeira da trilha é bem chatinha pra chegar: em alguns trechos é preciso descer pelas pedras segurando uma corda e em um momento tivemos que colocar os pés no rio (ainda bem que meu tênis já estava molhado por causa da chuva no dia anterior..kk). A cachoeira é linda e o lugar é uma paz só... 


Na volta, paramos tomar um banho na fonte de água "quente". Neste local, não há restaurante. A taxa de visitação é de R$ 25,00 por adulto.

Cachoeira Maria Concebida

Enfim, o Vale da Gurita é um lugar único. Ouvimos muitas histórias interessantes! Há poucas décadas ainda havia gente que nascia e morria sem nunca sair do vale e sem saber que existia vida lá fora... 
Os poucos moradores de lá preservam a história e a cultura local. Na semana Santa há uma festa religiosa chamada de Folia das Almas e em meados de dezembro e janeiro, há a tradicional folia de Reis (que também toma as ruas de Delfi). 
Para visitar o Vale da Gurita, caso seja na estação chuvosa, é bem legal estar de 4x4. Se estiver com carro comum, é bom se informar sobre a condição da estrada.

Como chegar:

Aí que fica o nó: para chegar em Delfinopólis, há uma balsa (R$ 20,00 por carro de passeio), ou caminhos alternativos por estrada de terra. O problema com a balsa é que em feriados prolongados, corre-se o risco de ficar horas esperando. Chegamos lá no sábado de manhã e acabamos desistindo e pegando um caminho alternativo de 90 km de terra, que em muitos trechos era só para 4x4! O caminho contornou a represa, passando pela Usina do Peixoto, que é uma alternativa para quem chega de Franca. Mas era carnaval, sabidamente o pior feriado para se viajar, né? (rsrs)

Distâncias:


Campinas, SP: 333 km (4h23)
São Paulo: 421 km

Belo Horizonte: 430 km
Franca: 99 km

Onde comer:

Divino Café: 

Para um café da tarde ou até mesmo algumas opções de jantar! Tem o melhor pão de queijo: recheado e coberto com queijo canastra!

Pizza do Jefferson: 

À noite, é o "point"! Sempre com boa música ao vivo, além de pizza o restaurante oferece massas, batatas recheadas e outras porções.


Sempre Viva: 

Opções deliciosas no cardápio e comida muito boa, além de ambiente pequeno e acolhedor, tipo "bistrô". Almoçamos lá e provamos a lasanha de berinjela, enquanto o Léo escolheu omelete com saladas! 


Restaurantes na área rural: 

Na "roça" também tem muitas opções de restaurantes, como comida servida no fogão a lenha. Vale a pena experimentar o típico almoço mineiro, pelo menos uma vez. Nós gostamos muito do Restaurante da Doca, no Vale da Gurita!

Onde se hospedar:

Nos hospedamos na Pousada Água e Sol, no centro de Delfinópolis. Pousada simples, mas bem acolhedora! O proprietário é mega atencioso e orienta quanto aos passeios e restaurantes. Gostamos das dicas dele! Não errou uma!
Reservei de última hora e não tinha mais quarto com ar condicionado, mas não sentimos falta! 

 Umas palavrinhas finais...


Não consegui chegar a uma conclusão sobre o número certo de cachoeiras em Delfi... teve uma dona de pousada que falou de 180, outros falaram de 150. Um grupo de pessoas que está gravando um documentário sobre a Serra da Canastra (não vejo a hora de assistir) falaram de 200 em toda a Canastra. E isso porque tem muita cachoeira que não foi catalogada! Enfim, só chego à conclusão que preciso voltar muitas vezes!


Sobre o surto de febre amarela: andou rolando um áudio no whatsapp falando que estava tendo surto de febre amarela em Delfi. Mas já foi desmentido e a polícia procura quem foi o autor deste boato de mal gosto. De qualquer forma, como gostamos muito de visitar lugares na área rural e ecoturismo em Minas, nossa família está vacinada!


Por fim, só tenho a dizer que Delfi me surpreendeu! As fotos não são nem um pouco generosas com este lugar! Vá conhecer pessoalmente!! 


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5 comentários

  1. Liliane, que lugar maravilhoso, eu estava louca para ler o post depois que vi suas fotos lindas. Meu filho ia ficar comendo pão de queijo o dia todo depois de gastar energia na caminhada. Uma dúvida, para quem não é atleta, como eu, dá para ir também? Tem trilha-preguiça?
    Beijo, Tati

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    1. OI, Tati!!! Dá pra encarar, sim! Tem algumas cachoeiras com trilhas fáceis e mesmo estas que fomos não exigem um super preparo! Eu mesma anda com um condicionamento "mais ou menos" kkkk
      Tomara que vc vá conhecer em breve!

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  2. Realmente e maravilhoso temos uma casa la !!!sempre que tenho um feriado prolongado e la o destino cidade maravilhosa de pessoaa Maravilhosa,passei toda a minha infância nesse lugar meu avô morava aí,realmente foram os melhores dias da minha vida ♡

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  3. Ótimo post, para quem vem pela primeira vez são os melhores passeios, só não vi fotos da última cachoeira da Maria Concebida que é a mais bonita, vcs conseguiram chegar até ela?Fica acima deste poço que está na foto.
    Vale a pena subir mais um pouco e ver a cachoeira de frente e o poço e ótimo pra quem sabe nadar.

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    1. Olá, muito obrigada!!
      A última cachoeira que chegamos na Maria Concebida foi esta da foto (acima da foto do poço de "água quente"). Era o final da trilha - acima dela estava proibido passar...

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